Reportagens – Jornal Extra e Extra Globo Zona Oeste RJ

12 06 2010
Reportagem Extra Globo Zona Oeste – 24/05/2010

Foto: Ari Kaye - Bruna já ganhou o título de Miss Senador Camará e Miss Turismo Rio de Janeiro

Dicas de maquiagem, como andar de salto, postura e etiqueta são alguns conteúdos que as alunas da Escola de Misses vão aprender a partir de julho. Serão abertas duas turmas de 20 vagas. Os critérios de seleção são os mesmos do Miss Brasil Oficial.

— Só vamos aceitar meninas que possam concorrer à miss, por isso seguimos as mesmas regras. Elas devem ter entre 18 e 25 anos, não podem ser casadas nem ter filhos. Também não aceitaremos aquelas que já posaram nuas — explica Rita Lusiê, chaperon (orientadora de miss) do Miss Brasil e orientadora do projeto. As aulas ocorrem na Vila Aliança, mas meninas de toda Zona Oeste podem participar da seleção.

O Centro Cultural A História Que Eu Conto, que já tem oficinas de serigrafia, teatro e grafite, vai sediar a Escola de Misses. No lançamento do projeto, a primeira miss de Bangu, Bruna de Oliveira, foi apresentada à comunidade. Ela ganhou o título de Miss Senador Camará em setembro do ano passado. Dois meses depois conquistou a faixa estadual de Miss Turismo Rio de Janeiro.

O presidente do centro cultural, George Cléber Alves, o Binho, diz que o projeto ajudará a criar bons exemplos para a comunidade.

— Os jovens estão acostumados a ver coisas ruins sobre a Vila Aliança. Com a Escola de Misses, estamos criando referências positivas, aumentando a auto-estima da comunidade. Quem tiver aulas aqui, vai poder competir em pé de igualdade com qualquer menina da Zona Sul —, afirma Binho.

Assista ao vídeo sobre o lançamento da Escola de Misses.

Fonte:

http://oglobo.globo.com/rio/bairros/default.asp?a=357

Reportagem Jornal EXTRA 20/03/2010

Uma ONG da Zona Oeste encontrou uma solução para o coco verde, que representa 60% do lixo recolhido na orla carioca. O Centro cultural a história que eu conto, na Vila Aliança, em Senador Camará, usa a casca do coco para fazer vasos de planta decorados, uma opção de renda para a comunidade e de reaproveitamento do lixo.
Enquanto a Prefeitura quer se livrar das cascas — a venda do coco nas praias do Rio chegou a ser proibida no ano passado justamente por causa do volume recolhido diariamente na orla —, o Centro cultural pede ao município esse material desprezado. A ONG sugere uma coleta seletiva do coco e o repasse do material para artesãos de várias partes do Rio. O prefeito Eduardo Paes já aprovou a proposta:
— Vamos fazer essa ideia sair do papel. Vou determinar que a Comlurb faça estudos para viabilizar essa coleta seletiva.
O coco começou a ser usado para fazer artesanato pela ONG em 2009. O presidente do Centro Cultural, o artesão George Cléber, o Binho, procurava um suporte para que as crianças da comunidade pudessem levar consigo as mudas plantadas durante a colônia de férias.
— Via o excedente de coco da barraca do Seu Raimundo, aqui do lado, e pensava que poderíamos fazer alguma coisa. Então, comecei a pesquisar — conta Binho. — Um dia, ao abrir um coco, achei que poderia servir como vaso de planta. Fiz vários testes e deu certo.
O resultado agradou tanto que a aula de artesanato com coco verde foi incluída no módulo de educação ambiental de todos os cursos da ONG (Projeto Mão na terra) e uma oficina só sobre o tema vai entrar na grade regular de atividades a partir do segundo semestre.
— É um recurso que dá retorno imediato. O custo não é alto. Pode ser vendido por R$ 10. Já recebemos propostas de bufês e de lojas para decorar vitrines — diz Binho.

(Assista ao vídeo e aprenda como fazer artesanato com a casca do coco verde)

Casca leva 8 anos para se decompor
Zé Lixão conheceu o trabalho do Centro cultural e aprovou a atitude ambiental das crianças
Apesar de natural, a casca de coco verde é um material de difícil degradação. Ela demora de 8 a 12 anos para se decompor no meio ambiente. Por isso, o consumo de água de coco se converteu em um problema ambiental para as grandes cidades.
Segundo dados da Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária, a Embrapa, o consumo de água de coco gera 6,7 milhões de toneladas de casca por ano no Brasil.
— As cascas de coco são volumosas e causam impacto nos aterros sanitários, diminuindo a vida útil dos lixões. Além disso, são focos para a proliferação de doenças, como a dengue — explica o agropecuarista e professor de educação ambiental da ONG, Bartolomeu Barboza de Jesus Júnior.
Coco: 60% do lixo
No Rio, o coco verde é recolhido junto ao lixo público comum em todas as partes da cidade, inclusive na orla. De acordo com a Comlurb, dos detritos removidos das praias, 60% é de coco verde. Os 40% restantes são compostos por embalagens de alimentos, plásticas e copos descartáveis, palitos de sorvete e espetos diversos. Nos fins de semana de alta temporada, são recolhidas até 300 toneladas de lixo nas praias cariocas.

Zé Lixão aprova ações ambientais
Depois de fiscalizar a coleta de lixo pelo Rio, Zé Lixão quer conhecer as ações que transformam em arte aquilo que é jogado fora e as práticas que dão novo uso para os detritos. O Boneco Cidadão aprova as atitudes ambientais e de reciclagem e vai mostrar, a partir de hoje, exemplos de iniciativas de cariocas preocupados com o planeta Terra.
Na última semana, Zé Lixão visitou a ONG Centro cultural a história que eu conto, na Vila Aliança, Senador Camará, e descobriu que mais gostoso do que tomar água de coco é usar a casca, diminuindo a quantidade de lixo recolhido nas praias. Na ONG, as crianças fizeram uma festa para o Boneco. Depois, elas ensinaram a Zé Lixão como fazer o artesanato com o coco.
Como Zé Lixão acredita que a responsabilidade com o planeta é tarefa de todos, ele declarou aprovada a atitude ambiental da galerinha da Vila Aliança.

Fonte:

http://extra.globo.com/blogs/zelixao/posts/2010/03/20/lixo-na-praia-arte-na-favela-276007.asp





Notícias

19 03 2010

O Centro Cultural A História Que Eu Conto tem o privilégio de convidar a todos para assistir o Espetáculo Teatral “Quem Matou o Leão” de Maria Clara Machado, interpretado pelos alunos do Projeto A História Que Eu Conto em Teatro. A importância dessa apresentação é compartilhar com todos vocês o brilhante resultado de 6 meses de intenso trabalho e dedicação da CIA Teatral A História Que Eu Conto em conjunto com as crianças, adolescente e jovens da Vila Aliança.
O Centro Cultural A História Que Eu Conto prima acima de tudo em valorizar e projetar os talentos endógenos da Comunidade e nessa Construção agradecemos aos nossos parceiros, a todos que contribuem em prol do bem comum e em especial a Casa da Moeda do Brasil, por mais essa Atitude Cidadã que nos possibilitou através do seu Patrocínio o sucesso do Projeto A História Que Eu Conto em Teatro.

Divulgação CCHC








Inciativas

20 10 2009

Redes Comunitárias:

Uma vez por mês é realizado no Espaço A História Que Eu Conto, os encontros de Redes Comunitárias  que visam estabeler um elo com as Instituições de dentro e fora da Comunidade. Com a metodologia da “Oferta e Procura” (implementada pelo SESC RIO), cada membro tem dois minutos para se apresentar e assim oferecer e/ou procurar algo para o melhor desenvolvimento de suas iniciativas, no coffe break é o momento onde as pessoas se identificam  e se aproximam com o foco em construir novas parcerias, foto abaixo.

I Seminário de Desenvolvimento Local do Complexo de Vila Aliança e Senador Camará

No dia 01 de agosto de 2009, foi realizado o primeiro Seminário de Desenvolvimento Local do Complexo de Vila aliança e Senador Camará, teve como tema “O Processo de Construção Coletiva e a Participação Social em prol do Desenvolvimento Local do Complexo de Vila Aliança e Senador Camará”. Este evento teve como objetivo reunir a população local, os diversos segmentos da sociedade organizada que atuam na região, lideranças comunitárias, observadores, convidados e estudiosos sobre a temática para que de forma coletiva possam refletir, discutir, avaliar, problematizar e apontar soluções acerca das necessidades específicas do Complexo de Vila Aliança e Senador Camará. Nesta perspectiva serão construídos mecanismos que viabilizarão o diálogo com as três esferas governamentais (Federal, Estadual e Municipal). No Seminário foram discutidos as 7 prioridades locais ( Educação, Cultura, Saúde, Meio Ambiente, Segurança Pública, Infra-Estrutura e Tecnologia), onde elegemos 3 sub prioridades de cada, para esse processo, foto abaixo.

I Fórum do Complexo de Vila Aliança e Senador Camará

No dia 05 de setembro de 2009,  foi realizado o primeiro Fórum de Desenvolvimento Local do Complexo de Vila Aliança e senador Camará, teve como tema “O Processo de Construção Coletiva e a Participação Social em prol do Desenvolvimento Local do Complexo de Vila Aliança e Senador Camará”. Este evento teve como objetivo de  através do processo de construção coletiva deliberar 7 das 21 prioridades discutidas no I Seminário de Desenvolvimento Local do Complexo de Vila Aliança e Senador Camará que ocorreu dia 01 de agosto de 2009. Isto com a finalidade de viabilizar instrumentos para a ampliação e democratização do acesso à realização do Desenvolvimento Local, em prol da garantia dos direitos. Deste evento, após a plenária, foi construído um relatório constando todas as informações extraídas desse processo de construção coletiva, este relatório será enviado a Conferência das Cidades que ocorrerá em outubro, além disso, este documento será entregue ao poder público nas três esferas. Também, foi retirada uma comissão que ficou responsável pela continuidade da discussão e acompanhamento dos desdobramentos, foto abaixo.

Capacitação em Educadores Sociais

Visando investir em sua equipe e  fortaler instituições as locais, é realizado todas as quintas feiras na sede do CCHC as oficinas de Capacitação em Educadores Sociais, ministrada por Michel Robim com apoio do SESC RIO. As oficinas tem o objetivo de fomentar a auto reflexão, a interação inter pessoal e despertar nos participante a vontade de atuarem como Educadores Sociais, foto abaixo.






Empreendedorismo Cultural

19 10 2009
Estamparia - Promover a Grife Visão Coletiva

Estamparia - Promovendo a Grife Visão Coletiva, criada no CCHC

Empreendedorismo Cultural

Ao adotar o conceito de Empreendedorismo Cultural, objetivamos fomentar em nossa estrutura a relevância da Econômia gerada através dos produtos e serviços fornecidos pela cultura. O CCHC busca romper com o paradigma de que instituições do 3° Setor atuam numa organização sem finalidades lucrativas, que portanto deve atuar apenas voluntariamente.

Sendo assim, o planejamento estratégico com foco nas potencialidades que atuam ou compõem o público beneficiário do CCHC, possibilitou o reconhecimento de empreendedores que atuavam nessas Comunidades sem conhecerem sua real importãncia. O Empreendedorismo Cultural tem como meta a utilização dos recursos humanos e materiais, ou seja, produtores e seus produtos visando a sustentabilidade da Instituição e daqueles que a conduzem.

Atualmente encontra-se em formação a Rede de Empreendedores Culturais na Zona Oeste, que têm como finalidade de difundir este conceito para que instituições, produtores culturais,  gestores culturais, entre outros, busquem sustentarem-se sem necessariamente dependerem exclusivamente, mas que se tornem capazes de se inscreverem na economia da cultura.

Bolsas produzidas a partir de materias recicláveis

Bolsas produzidas a partir de materiais reaproveitados





Centro Cultural A História Que Eu Conto

27 05 2009
Sede na Vila Aliança

Espaço A História Que Eu Conto

Apresentação:

O Centro Cultural A História Que Eu Conto (CCHC), é uma organização não governamental sem finalidades lucrativas, criada a partir do “Encontro de Sonhos” de três moradores da Comunidade de Vila Aliança: Samuel Muniz (Samuca), George Cleber (Binho) e Jeferson Cora (Jê). Depois de participarem de diversos projetos e iniciativa na sua maioria vinda de fora da Comunidade, os “três loucos” como eram considerados decidiram idealizar uma Instituição que surgisse como referencia de dentro da Comunidade, promovesse o acesso a Cultura, resgatasse o sentimento de pertencimento e principalmente evidenciasse a valorização histórica do Complexo de Vila Aliança e Senador Camará, exemplo: A Vila Aliança é o primeiro conjunto habitacional da América Latina, oriunda do processo remoções do governo Lacerda, 1960. Atualmente estima-se que existam aproximadamente 400 mil habitantes neste complexo e nunca houve um investimento nos segmentos culturais na região por parte do Governo.

Com um forte exemplo de superação do Samuca, que década de 80 esteve entre os criminosos mais procurados do RJ, ficou preso por sete anos, ainda na cadeia teve sua concepção mudada prometendo a Deus que utilizaria sua história de vida como exemplo para que outros adolescentes não se envolvessem com a criminalidade e se tornaria referência para aqueles que se encontrasse no sistema penal. Atualmente muitas outras histórias de superação se agregaram ao CCHC, criando uma grande engrenagem movimentada pelo amor e a vontade de desenvolver todo Complexo. Se no início eram apenas três loucos hoje são 30 voluntários que se esforçam na busca por uma sociedade mais justa, uma melhor qualidade de vida da população e projetar os aspectos positivos dessas Comunidades para o Mundo.

"Os Três Loucos" Da esquerda para direita: Binho, Samuca e Jeferson Cora

Durante um ano de funcionamento a credibilidade do CCHC conquistou parceiros importantíssimos para essa trajetória, como: SESC RIO, [1]FASE, Rede de Tecnologia Social, [2]UNICEF, ACERB –Associação Comercial e Empresarial da Região, Casa da Moeda do Brasil, BEG TV, Secretaria de Estado da Cultura, Faculdade Simonsen, CIEZO – Conselho das Intituições de Ensino Superios da Zona Oeste, Instituto Terrazul ,Instituto Rede Ação, IBISS – Instituto Brasileiro de Inovações em Saúde Social ,  COOPERAC – Cooperativa dos Agentes Culturais, Dhemarest e Almeida Advogados, Grupo Sócio Cultural Raizes em Movimento, Rede CCAP (Núcleo de Direitos Humanos de Manguinhos) de dentro das Comunidades.

O CCHC está posicionado no centro dessas duas Comunidades e disponibiliza atividades de: Graffiti, Dança de Rua, Capoeira, Modelagem, Inglês, Reforço Escolar, Grupo de terceira idade Vivendo e Dançando, Teatro, Exposição permanente “O Negro na Cultura Popular Brasileira” do artista plástico Bartolomeu Jr. (morador da comunidade e um dos fundadores do CCHC) . Além de uma biblioteca comunitária Quilombo dos Poetas com mais de  5 mil exemplares,  muito acessada pelas Comunidades.

Nossa Missão : Trabalhar pelo Desenvolvimento Local do Complexo de Vila Aliança e Senador Camará, através da democratização do acesso ao conhecimento e à pluralidade Cultural.

Nossa Visão: Tornar-se referência em empreendedorismo cultural, fomentando nossa metodologia em regiões de dentro e fora do país que tenham como principal meta o seu desenvolvimento humano e sócio sustentável.

Acreditamos que o conhecimento e a Cultura sejam ferramentas essenciais para o redirecionamento estrutural e intelectual da Sociedade de uma forma geral, a médio e longo prazo possam com certeza surtir mais efeitos que operações policiais, grades, cercas elétricas, carros blindados, etc. O CCHC foi criado acima de tudo para mostrar que as realizações dos Sonhos são possíveis sem distinção de classe, gênero ou raça,  que precisamos unir forças na contribuição em prol de um Mundo melhor, sejam bem vindos, abaixo foto com parte da equipe do CCHC.



[1] FASE: Projeto Acesso a Justiça e a Cultura de Direitos – Com Apoio da União Européia o Projeto tem a proposta de em dois anos capacitar 15 jovens em JPPJ (Jovens promotores Populares de Justiça).

[2] UNICEF: Fazemos parte da Plataforma dos Centros Urbanos e somos um dos Grupos Articuladores Locais, com o objetivo fazer chegar às Comunidades os Direitos das crianças e adolescentes.





Do Crime à Cidadania

27 05 2009

Samuel Muniz de Araújo, mais conhecido como Samuca, foi um dos assaltantes e sequestradores do Rio de Janeiro mais visados na década de 90. Foi preso, condenado, cumpriu pena e deu uma nova direção à sua vida. Na cadeia, em vez de se entregar ao destino, descobriu o valor da solidariedade. Hoje, ele é uma das lideranças do Centro Cultural A História que Eu Conto, que faz um trabalho de resgate social de crianças, adolescentes e jovens por meio das atividades realizadas na Vila Aliança.

“As ações estão ligadas à autoestima das pessoas, integração familiar, autossustentabilidade e mercado de trabalho. Vivemos numa comunidade de baixa renda e a dificuldade financeira contribui bastante para que os garotos entrem no crime e as meninas na prostituição”, explicou Samuca, cuja trajetória é marcada pela mudança radical de vida, do crime à cidadania.

Nas ruas de Vila Aliança, Samuca cresceu em meio à violência urbana e às dificuldades de uma família com nove irmãos. Aos 11 anos começou a trabalhar como ajudante de oficina para aumentar a renda da família. Aos 15, percebeu que teria de deixar de lado o sonho de ser jogador de futebol e foi trabalhar como camelô com um dos irmãos, em Niterói. Um ano depois estava trabalhando em um barco pesqueiro em Cabo Frio, época em que chegou a ganhar um bom dinheiro. Pouco tempo depois sua mãe faleceu. “Minha cabeça virou. Era o mais apegado a ela. Meu pai era o herói que eu não via durante a semana e que colocava dinheiro em casa. Parei de trabalhar e nada mais dava certo. Optei por entrar para a criminalidade, pois era uma realidade muito próxima”, afirmou.

Samuca teve uma trajetória tão curta no crime quanto à de muitos de seus parceiros. A diferença é que o final foi feliz. Dos 16 aos 22 anos, desfrutou de poder e foi idolatrado pelos vizinhos, assim como hoje alguns criminosos costumam ser nos morros cariocas, principalmente aqueles que se mantêm ligados ao lugar onde cresceram. Envolvido com o crime, fez uso de drogas, assaltou, sequestrou. Na comunidade, passou a ser identificado como um bandido esperto, frio, estrategista, com inteligência excepcional. Ganhou respeito do alto escalão do crime, e se tornou um dos homens mais procurados pela polícia do Rio de Janeiro.

Com a necessidade de estar sempre escondido, de casa em casa, perdeu o convívio familiar, algo que passou a incomodá-lo. “Comecei a perceber a questão da carência. Você começa a perder a liberdade porque sabe que não pode facilitar. É muito complicado quando não se tem mais uma vida de cidadão comum. Não é possível dormir e acordar em casa, ter contato com a família. Às vezes, até pela própria segurança das outras pessoas, é preciso manter o afastamento”, disse.

Samuca foi detido e condenado a 15 anos de prisão por sequestro no dia de seu aniversário. “Acho que eu renasci naquele dia”, diz. O dia-a-dia na prisão era angustiante e, para enfrentar a realidade, tentava evitar qualquer emoção ou envolvimento, acentuando sua frieza. Seu limite foi querer planejar ações terroristas contra o poder público, pois achava que as lideranças políticas eram as grandes responsáveis pelos problemas do país. “Neste processo, eu descobri que tinha um grande inimigo: meus sentimentos. Quando eu pensava em meus filhos, não conseguia levar adiante os planos do crime”, revelou.

Na cadeia, Samuca buscou o apoio profissional de uma psicóloga que o orientou a participar de reuniões kardecistas. “Assumi um compromisso com Deus, comecei a perdoar, achei o meu equilíbrio. Um dia, ouvi uma voz me dizendo que eu sairia da cadeia em novembro. Decidi, então, abrir mão do advogado que o tráfico pagava pra mim porque, se Deus iria me colocar na rua, eu não poderia sair por meio de dinheiro ilícito. Hoje, acredito que, quando fui preso, nasci de novo. Deus estava me dando uma segunda oportunidade” afirmou.

Em novembro de 1996, foi transferido para uma unidade semiaberta. “Ali, entreguei minha vida nas mãos de Deus e pedi forças para não usar mais drogas, para me firmar com minha música, que era de onde eu queria tirar o meu sustento. Como forma de agradecer a Deus, eu divulgaria minha vida e minha história, para que crianças e adolescentes não precisassem se envolver com a criminalidade. E serviria, também, como referência para quem se encontrava no sistema penal”, disse.

A mudança, no entanto, não foi fácil. “Quando eu saí, me ofereceram controle sobre o tráfico, talvez pela capacidade de articulação, de liderar, de fazer dinheiro. Eu não quis. Aí, me ofereceram uma pistola para eu portar por questão de segurança. Mas minha arma era Deus. Depois, me ofereceram um salário somente pelo que eu havia representado no passado. Rejeitei. Por fim, recusei a proposta de um plano de sequestro”.

Passadas as tentações, Samuca começou a trabalhar na construção civil. Mas seu grande desejo era trabalhar com música. “Formei uma banda de pagode, onde fiquei durante dois anos”. Depois, criou um novo grupo musical a fim de interligar ações sociais ao trabalho. Ao grupo veio associar-se uma banda da comunidade que, por sua vez, era ligada a um projeto do Instituto Brasileiro de Inovação em Saúde Social (Ibiss). Os componentes da banda eram responsáveis pela realização de oficinas de percussão, aulas de violão e escolinha de futebol.

Durante seis anos dividiu-se entre os shows e as oficinas. Nesse período, adquiriu conhecimento e visibilidade. “Porém, na medida em que o tempo passou, as relações começaram a se desgastar. Optei por sair, em busca de outros projetos, mas mantendo as amizades”, relembrou. “Após participar das bandas Ponto BR e Movimento na Rua, além de diversas articulações na comunidade e com instituições, conseguiu fundar oficialmente, no ano passado, o Centro Cultural A História que Eu Conto. Ele surgiu a partir de um documentário audiovisual sobre a saída do jovem Melk (hoje com 18 anos) do envolvimento com o tráfico”.

O Centro Cultural A História Que Eu Conto tem como ” âncora” a história de Samuca, que juntamente com Jeferson Cora (Jê) e George Cleber (Binho), somaram suas  vivências para construir o Espaço de Superação, onde outras pessoas, começando pelas que compõem a diretoria da instituição, servisssem de referências àquelas que acreditam não serem capazes de dar a volta por cima. O que antes parecia apenas um sonho de TRÊS LOUCOS, dois anos depois somam-se um total de 30 voluntários compartilhando sonhos, rompendo paradigmas e construindo um futuro promissor para as novas gerações.

Conexão Urbana em Vila Aliança 2005

O Centro está localizado na divisa entre os bairros de Vila Aliança e Senador Camará, onde, no passado, funcionou uma escola municipal. “A escola saiu daqui por causa de um episódio de violência ocorrido em 2007. Ora, o país todo hoje é uma área de risco. O maior risco que nós corremos está sendo produzido por nós mesmos”, disse, para em seguida questionar: “Quem somos nós, como seres humanos, e o que estamos fazendo para a sociedade e para o mundo ser melhor? O que nós contribuímos para isso? Eu digo isso nas minhas músicas. Se defender do mal é praticar o bem”.

O nome do Centro, de acordo com Samuca, é uma referência ao nome do livro que será lançado este ano. “Meu livro, que eu já estava escrevendo antes da criação do Centro, vai se chamar A História que Eu Conto. O motivo é que, normalmente, a história do cara que vive no crime é contada por outras pessoas. Eu sou alguém que viveu no crime e que está vivo para contar a história. Daí vem o nome do livro”, revelou.

Ele ressaltou também que, como conseguiu ficar vivo para contar a história, prometeu a Deus não ficar com o dinheiro que o livro renderá. “Doarei tudo o que for arrecadado para a própria instituição. Por isso, achamos melhor que o nome do Centro fosse o nome do livro também. O Centro não é mais a história do Samuca. Ele é a história de toda a comunidade e das pessoas que querem mudar o contexto em que vivem”, completou.

“Queremos mostrar que existem grandes potenciais dentro da comunidade e trabalhar em função do desenvolvimento local, mostrar que temos muita força e valor”, afirmou Samuca. O projeto conta com mais de 100 alunos com idades entre 8 e 16 anos. As inscrições nas oficinas já estão abertas e as novidades de 2009 são os cursos de inglês, pré-vestibular, padeiro e confeiteiro.

“A ideia é que também tenhamos uma confecção, para trazer as mães para esse trabalho. Quando você traz a mãe e tem ela fazendo um trabalho por perto, com acompanhamento de um educador social, você começa a fazer com que os jovens fiquem mais próximos da família. Esse trabalho abre espaço para que o pai também participe. Muitas vezes o sujeito sai da cadeia e as portas são fechadas por ele ser ex-presidiário”, disse, revelando que quer cantar e compor mais. “É o que me faz feliz, é o que eu amo. Espero voltar aos palcos em 2009, cantar minhas mensagens e levar amor para as pessoas. Acho que a gente precisa disso. Falar de amor”.

Este ano, o Centro Cultural A História que Eu Conto iniciou suas atividades com a realização do 4º Encontro de Redes Comunitárias, resultado de uma parceria com o SESC Rio. “A parceria vem desde 2005, quando participamos pela primeira vez de um encontro. De lá pra cá, o SESC Rio faz nossa ponte para outras instituições e nos apresentou a realidade de outras comunidades, como a Vila do João e a Cidade Alta, além de nos ajudar a ampliar a visão de mundo no sentido de implantar o modelo que se queria fazer aqui. Ter esse apoio e ser uma referência de projeto em tecnologia social e desenvolvimento local, para ser implantado em outras comunidades e em outros municípios, nos orgulha muito”, completa.





Oficinas e Atividades

27 05 2009

As oficinas do Centro Cultural A História Que Eu Conto, são utilizadas como ferramentas de aproximação para que os Educadores Sociais fomentem no grupo beneficiário reflexões pessoais, interpessoais, na busca pelo conhecimento e principalmente  para contribuir na melhoria do ambiente em que vivem. O objetivo central do trabalho fundamenta-se na metodologia de construção coletiva, onde são disponibilizados instrumentos para que os beneficiários possam se empoderar e com isso se reconhecerem como sujeitos históricos de direitos, através do pertencimento.

Importante ressaltar que as oficinas e atividades disponibilizadas pelo CCHC, são gratuitas e em horários flexíveis para que haja uma sintonia com a frequência escolar do grupo beneficiário. Abaixo imagens de algumas oficinas: Graffiti, Dança de Rua, Teatro e Capoeira.

Graffiti:

Ins trutor Jeferson Cora

Dias: Terças e Quintas feiras

Horários: 9:30 às 11: 30 e 13:30 às 15:30 hs.

Dança de Rua: Cia de Dança A História Que Eu Conto

Instrutores: Cristiano, Dinayara e Junior

Dias: Terças e Quintas feiras

Horários: 15:30 às 17:00 hs

Capoeira:

Mestre Poeira

Dias: Segundas e Quartas feiras

Horários: 10: 00 às 11:30 e 13:00 às 15:00

Teatro: Cia Teatral A História Que Eu Conto

Instrutores: Luiz Fernando, Thiago, Ariel e Cintia

Dias: Segundas e Quartas feiras

Horários: 14:00 às 17:00 hs.

Reforço Escolar da Alfetização à 3° série

Instrutora: Lúcia Helena

Dias: Segundas, Quartas e Sextas feiras

Horários: 15:00 às 17: 00 hs.

Reforço Escolar 4° à 7° série

Instrutora: Grasiela

Dias: Segundas, Terças e Quintas feiras

Horários: 15:00 às 17:00 hs

Grupo para terceira idade Vivendo e Dançando

Responsável: Dona Sheila

Dias: Segundas, Quartas e Sextas feiras

Horários: 8:00 às 9:00 hs

Modelagem

Istrutora: Edna

Dias: Segundas

Horário: 14:00 às 16:00 hs

Biblioteca Quilombo dos Poetas

Dias: Segunda a Sexta

Horarios: 9:00 às 17:00 Hs

Responsável: Bartolomeu Jr.

Capacitação em Educadores Sociais

Professor: Michel Robim

Dias: Quintas

Horários: 9:oo às 12:00 hs

Inglês

Professor: Moisés

Dias: Quartas e Sextas

Horários: 16:00 às 18:00 hs e 19: às 21:00 hs

Valor: R$ 30,00 (Ùnica atividade não gratuita)









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